A SEGUNDA EDIÇÃO DO PASSEIO LITERÁRIO (*)- José Lourenço Alves


    Foi na manhã do domingo 14 de novembro de 2021, a partir dos versos de A Praça do Barão, de Jonas Deocleciano Ribeiro, do seu livro “Quando as flores vão caindo...” (1970). Detalhe: vimos no livro a dedicatória do autor, então com 90 anos de idade, e soubemos um pouco da sua biografia.
Na Praça Nossa Senhora da Conceição, sob o caramanchão nas proximidades da Fonte Luminosa, ouvimos o texto Quase, de Jane Mahalem, do seu livro “Sagrado Vazio” (2019). Um momento de reflexões... Inclusive a respeito das fachadas tombadas daquele pedaço do centro da cidade. 
    À sombra de uma frondosa Cambuí, ainda na Praça, reflexões sobre tempo e espaço, na prosa de A Igreja Matriz, de Luiz Cruz de Oliveira, do seu livro “Minha aldeia” (2017). Recordamos suas pesquisas da literatura francana e a dificuldade que ele teve de levantar a biografia de alguns escritores, em meio a tantos e de tanta qualidade por aqui existentes. Foi o caso de João de Oliveira, de quem ouvimos os versos de Franca!, publicado no jornal Comércio da Franca, edição especial do centenário de emancipação política da cidade, em 1956. 
    Ainda à sombra, sobre o livro “Diário de Bitita”, de Carolina Maria de Jesus, tivemos a encenação de Flávia Mildres. Ouvimos que Carolina morou em Franca e ouvimos sobre três mulheres essenciais na vida de Carolina: a madrinha, a benemérita e a professora. Tocou o sino – um espetáculo musical. Depois, ouvimos sobre uma quarta mulher reverenciada por Carolina, na encenação de Janaína Santos.
Íamos seguir o passeio quando fomos presenteados com a presença de Luiz Cruz de Oliveira e da professora e escritora Regina Bastianini. Que coincidência boa e que alegria vermos o autor comentar o seu texto, recordando que naquele espaço da praça o tempo se encarregara de transformar um cemitério em fonte luminosa.
    Passamos pelos retratos laterais da Casa da Cultura e do Artista Francano Abdias do Nascimento e paramos na Praça Carlos Pacheco para observarmos a fachada principal da Casa da Cultura, o interessante diálogo entre antigo e moderno, os símbolos da cidade e o rosto de Regina Duarte, nascida na casa que havia por ali. Falamos de se reconhecer a importância cultural de Regina Duarte, e tendo em mãos “O genocídio do negro brasileiro” (2016), livro clássico de Abdias, ouvimos sobre a luta desse grande francano contra as injustiças, as perseguições que por isso ele sofreu, e a justiça (e inteligência) de removermos o sectarismo no trato do patrimônio histórico e cultural da cidade. Dos feitos de Abdias, ouvimos alguns trechos sobre a razão de ser do Teatro Experimental do Negro. 
    No cemitério, a caminho do mausoléu do poeta Ygino Rodrigues, falecido aos 34 anos em 1907, passamos pelos túmulos das Treze Almas e de Maria Conceição Leite de Barros. No mausoléu, à vista do livro “Ygino Rodrigues – o poeta da pinta preta”, do saudoso aefeelista Carlos Alberto Bastos de Matos, ouvimos um pouco da biografia do poeta e o vimos, na declamação de Ramon Mocambo.
    Encerramos na Praça Carlos Pacheco com a leitura da prosa provocante de Fechar os Olhos para Ver a Luz, de Josaphat Guimarães França, do seu livro “O sonho do semeador” (2003); e com broas de milho, deliciadas por todes entre comentários a respeito da poesia de mais uma edição do passeio pela literatura francana que este narrador teve a grata satisfação de idealizar e apresentar.

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Crônica de José Lourenço Alves, em destaque, na página 10 da 58a. Revista Ponto & Vírgula (janeiro/fevereiro/março/2022)

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