NOSSAS VIDAS - XIV Idemar de Souza

Que mulher, Deus me levou! Ele sabe o que faz...
Mas haverá de dar-me muita fé, muita esperança...
Lá se foram, tristemente, os meus dias de bonança
no amor! E qual será a boa nova que me traz?

Há tempo cresceu o meu Cravinho... hoje, é um moço!
Por um desejo ardente e pela fé me inspira a natureza
em pouco serei avô, se vivo estiver... e a infinita beleza
do amor, mais uma vez, ressurgirá, feito um poço

de alegria... E a notícia chega, que me deixa absorto.
Cravinho, em setembro, será pai duma borboletinha
azul, adornada com pontinhos cor de rosa... parecida

com a avó. Tinha de ser! Uma dengosa princesinha...
Mas, nefasta surpresa vicejara: nascera, já sem vida,
a pequenina. Nada mais existe... sou um homem morto!

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Soneto de Idemar de Souza, em destaque, na página 13, da 58a. Revista Ponto & Vírgula (janeiro/fevereiro/março/ 2022)


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