Alvim Barbosa



Poema da espera
                           
Ajuntei sonhos espalhados pelo vento.
Recolhi alegrias das conchas marítimas.
Enfeitei a casa com rosas vermelhas
Para te esperar.
Espanei a poeira do piano solitário
Que dormia há muito tempo no abandono.
Fiz colares de cristais.
De ilusões coloridas.
Prendi a alvorada no meu coração.
As horas passavam lentas ,
Numa agonia sem fim.
E eu a te esperar.
Os sonhos foram se transformando
Em desalento e dor.
As alegrias se desalegraram  tristemente.
Mas as rosas... essas não murcharam.
Meus olhos que esperavam tua presença,
Regaram-nas constantemente...

                                                 (In Memorian)
                                                               
***

  O Tempo na Ponte
                                                                     
 Tempo cansado
 Destruindo a cor
 subjetivamente.
 Ganhar o tempo
 Acima da solidão.
Do que é possível
Tudo se perde.
 Recuperar o tempo.
 Talvez a emoção traída
Se transforme.
 Ponte incomum.
 O rio é largo.
 Não tem limite nem direção.
A ponte é só.
Não passarei do gesto.
 A água turva te afogará.
 Este impulso no tempo
 Proporcionará o tom.
 Descobrirei teu rosto
Em minhas mãos. E o som
 Da água entre meus dedos-
Canção de teus cabelos.
Havia a ponte.
Violentei-me no choro
De teu naufrágio.
Perdeste o tempo.
 Ponte em ruínas.

                            In O Tempo na Ponte

***

 Confusão

Eu sou eu.
Sou teu e não sou.
Não sei.
Sei que não há sentido
No sentido que existe
Incertamente.
Talvez alcance a essência
Quando for essencial.
Não sei.
Tudo parece desfeito
Quando devia durar.
Agora rasgo silêncios,
Faço bonecos mal feitos,
Traço linhas incompletas
Porque tudo está desfeito.
E é triste,
No sentido que existe
E persiste.
Como um ponto no horizonte,
Nosso amor é desfeito.
.....................................................
Eu não estou confuso.
Eu sou eu: ninguém.
Eu sou Eu: alguém.
Eu sou eu: sou quem?
                                        (“in O TEMPO NA PONTE”)



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