XVI
Os belos nacos de carnes palpitantes
Que emolduram, sem igual, seu corpo lindo
Prenunciam novas vidas que vêm vindo
E que matarão de desejo seus amantes.
A cada vez que atrevido eu contemplo
Os seus modos sensuais se revelando
Fecho meus olhos e creio estar orando
E tocando minhas mãos este seu templo.
Abro os olhos e percebo: que mentira!
Fatal o quadro por mim imaginado
Quanto frustrado fico ... Delinquente!
Novamente fecho os olhos, e malgrado
O desejo de revê-la, incontinente,
Sinto me irá matar que imensa ira.
XXI
Seus hábitos, eu me lembro: que certinhos
Os sorrisos, que eram tristes, eram poucos
Hoje, que alegres! Os cabelos já são outros
Voejam. Eram aparadinhos!
Quanta ira! Quão triste a convivência!
Não me ouvia. Sempre mudo e mendaz
Não cuidava que ruía a nossa paz
Cri, até, perder a paciência.
Que mau humor! Delírios rancorosos
E que mal, suas rebeldias me faziam
Relembrava minha mãe, quase em pranto.
Os olhos lindos que antes não luziam
Rejuvenescidos, pós o desencanto
Antes faltos, seduzem, luminosos.
XXVII
Surgiu a morte, sisuda, rigorosa
Desconheceu, de dilação, do meu pedido
Desculpou-se por desprover ao requerido
E rutilaram os olhos da Juju, idosa.
Saquei do opúsculo que me sobraçado
E, sem lamentação, ergui os olhos meus
Clamei, de Deus, a fé. Cerrei os olhos seus
E confiei nobre a alma ao seu cuidado.
Aprendi a viver com triste sentimento
À noite, agora, eu faço minha prece
De raros dotes, à minha mãe, sem precedentes.
Eu sinto que, lá do céu, ela agradece
E aos apelos, que descanse, tão clementes,
Dê, a eles, a S. Trindade (v.u.), provimento.
Comentários
Enviar um comentário