Carlos Eduardo de Brito Aragão



Ninguém para pra ver

Acordar, se arrumar, tomar café, trabalhar, correr.
Trânsito, buzina, cansaço.
Chegar em casa, assistir à TV.
E o pôr-do-sol,
Alguém parou pra ver?

Não há tempo pra essas coisas “banais”.
Afinal, tempo é dinheiro
E tem que ser aproveitado com trabalho.
E o pôr-do-sol não dá pra ver.

O que dá pra ver
É um monte de problemas.
Deveres a cumprir.

Pra quê ver o pôr-do-sol?
É preferível acessar a internet
Com seus jogos e bate papos.
O mundo virtual com um simples clique.

Enquanto isso, no mundo real:
O sol se põe lá no horizonte,
A flor embeleza o jardim,
Os pássaros cantam suaves melodias,
Crianças brincam na praça,
Estrelas brilham no céu,
Mas ninguém para pra ver.

***

Se o mundo pudesse me ouvir...

Se o mundo pudesse me ouvir...
Gritaria sem parar,
Choraria as dores dos pobres,
Berraria no ouvido do homem
Que quer a mudança do mundo,
Mas não faz nada para mudá-lo.

Embora não grite com a voz,
Grito através dos versos,
Fazendo da poesia a minha voz.
Com o papel e a caneta alcanço o Universo.

Em cada curva que a caneta faz,
Coloco o meu coração, minha vida e meu pensamento.
O mais ardente desejo de paz.

Vai verso meu, percorre o infinito.
Vai ser um grito na multidão.
Leva consolo aos aflitos,
Desmascara as injustiças,
Anuncia o bem,
Leva a esperança a quem não tem.

Enquanto houver um papel e uma caneta na mão,
Vou continuar gritando.
Fazendo da poesia uma luz na escuridão

***

Pensamentos à beira-mar


Descendo a serra
Avisto ao longe o imenso mar.
Olho ao redor e vejo a Mãe Natureza
Que enfeita o caminho
Esbanjando beleza.

As casinhas ao pé do morro
Parecem casas de boneca.
As luzes vistas do alto
Surgem como vaga-lumes,
Como estrelas que brilham no chão.

Que alegria ao chegar à praia:
Pisar descalço na areia,
Molhar os pés bem cedinho.
Recolher as conchinhas do chão,
Ver o mar bem de pertinho
Com suas ondas indo e vindo.

Meu pensamento navega na imaginação.
De um simples castelo de areia
Surgem reinos distantes.
Imagino-me em um barco
Que me leva a lugar nenhum
No porto do sonho sem fim.

Na areia do mar
Avisto lindas sereias
Que embelezam ainda mais o litoral.

Oh, Mar! Leva um pedido meu!
Pede ao Criador
Dias cheios de amor.
Pede a união entre os homens.
Pois, assim como o sol nasce para todos,
Vós, oh, Mar! Banhais a todos.


 ***


A vida é como bolha de sabão
         

Ao ver um menino segurando em sua mão
Um pequeno pote com água e sabão,
Percebi que ao soprar o canudinho
A água e o sabão
Transformaram-se em uma linda bolha.
E a bolha voou no infinito
Percorrendo o Universo em busca do Sol.

O caminho foi longo.
Mas num belo dia, sem esperar,
A bolha estourou de repente
Voltando a ser água e sabão.
Ao soprar novamente o canudinho,
Eis que ressurgiu a bolha imponente.

Assim é a nossa vida: Somos apenas pó,
Mas Deus com seu Sopro Divino
Transforma-nos em seres humanos.
Percorremos um longo caminho
Em direção ao Sol de Deus.
Caímos aqui, tropeçamos acolá,
Seguindo a nossa jornada.

Chegará o dia em que voltaremos a ser pó
Retornando de onde saímos.
Mas Deus, com o sopro definitivo,

Fará de nós uma linda bolha a flutuar na eternidade.



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