Isolino Coimbra de Oliveira



  Meu Pé de Limão
                                        

De uma casa que morei
Nos anos que já se vão,
Tenho lembranças saudosas
De um velho pé de limão.

Nele, às vezes, eu subia
E sentia um bem estar,
Creio que era a amizade
Que entre nós não tinha par!

Às vezes, de seus frutos
Limonada eu fazia,
Meus amiguinhos gostavam
Era como uma iguaria!
                
Aquele pé de limão
No quintal de minha casa,
Era uma fonte de sombra
Onde eu sempre brincava!

Nesta pequena poesia
Ponho todo meu afeto,
Lembrando do limoeiro,
Torto, velho, mas discreto.

Foi-se a vida de criança
Tudo se modificou,
A casa não é a mesma.
E o limoeiro acabou!

Quando eu passo por lá
Tenho assaz recordação,
Do meu tempo de menino
E do meu pé de limão!


 ***


Mais um dia iluminado

Se esgueirando sorrateira surge a noite
Que foi liberta por um régulo instruído
Livrou-a dos grilhões da luz e seu açoite
Fez da penumbra seu caminho conhecido!

Em seu seio a noite porta seu mistério
Que leguleio algum jamais pode esquadrinhar
Pois a ausência da luz faz seu império
Dando ao incauto a assombração do amarfanhar!

As horas são impassíveis e morosas
Só assistidas pelo espaço em sua grandeza
Cujas estrelas nas alturas, esplendorosas
Dão à noite mais vigor e mais destreza!

Bem ao meio quando, se cruzam os ponteiros
Apontando para o infinito em seu ápice
Se desloca os mais sórdidos romeiros
Sorvendo vinho mas tendo o sangue no cálice!

A madrugada é um espanto intempestivo
Em que à matroca se apodera de cuidados
Pois a luz que vem surgindo dá o aviso

Que seu reino é mais um dia iluminado!




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