Entre ser e ter- Luzia Madalena Granato


Ah! Insônia porque me persegues?
A noite é para os que sonham e
para os anjos, e tu te transformas para mim
às vezes, em pesadelos.
Deixe-me!
Sou mortal
De dia, quando o sol se põe estou já exausta
e vivo, talvez, uma vida falsa.
Vivo entre a razão de ter e querer ser.
É por isso que me atormentas?
És má, me deixas cansada,
o rosto com mais marcas,
as pálpebras pesadas e o peito agoniado.
Ah! Insônia!
Deixe-me dormir em paz.
Deixe que em meus sonhos apareçam
o que desejo e ao acordar, mais serena,
possa acordar mais forte, menos agoniada.
Porque fantasiei e, talvez, neste dia
eu possa concretizar o que tu queres...
Vai-te embora!
Tu me corróis!
Deixe-me em paz
para viver amor.
Sou de outra geração!
Minha vida, não pode ser de princesa
e minha casa não é um castelo.
É apenas um teto, um teto de ilusão também.
Deixe-me repousar em paz e acordar
Em minha profunda reflexão de Ser.


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