VAZIA- Maria Júlia Maffeis Moreira

 


















Vazia eu me sentia,
Porque, em mim, nada havia
Vazia como uma concha achada na praia,
Que seu dono havia partido, e vazia a tinha deixado...
Tudo é vazio ao meu redor 
E sem cor,
As pessoas sem amor,
Vazias até no olhar, vazias no coração 
Como farei pra me encher?
Como farei pra me recompor?
Quem me ajudará a juntar
As partes que de mim caíram?
Sozinha eu não quero ficar
Mas quem me estimará?
Vez que as relações são trocas,
E eu nada posso dar, já que vazia estou
As estrelas acompanham a Lua,
Então ela tem companhia, não sabe o que é estar sozinha
Guerreiro que luta sozinho,
Como o Sol, que brilha forte, mas solitário está.
Me sinto como o Sol no céu 
Ou como a concha na praia 
Ou como um passarinho assustado....
Para onde irei voar?
Como as flores do campo murcham 
Assim também é a minha alma
Quem me ajudará a reconstrui-la?
Quem me ajudará a me levantar?
Para onde irei,
Se o vento não sopra em uma só direção?
Se as ondas do mar se quebram,
E meus pensamentos se vão?
Vazia é como me sinto, 
Porque nada mais em mim há 
E minha vida se esvazia, vazia
Já que nada me preencherá.

*
Poema de Maria Júlia Maffeis Moreira, nas páginas 50/51 da 18a. Revista Ponto & Vírgula - Poemas, Contos e Crônicas, lançada dia 18 de dezembro de 2021, no Hotel Nacional.
Editora: FUNPEC/RP
Coordenadora: Irene Coimbra



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