SONETO MANUELINO- Antônio Carlos Augusto Gama

 

Dizem-me que dois meses atrás tudo já existia,
o firmamento, as estrelas da Láctea Via,
nosso pequeno planeta azul a girar bêbedo
em torno de si mesmo e do irradiante Sol.

A primavera que desarrolha o verão,
entardece no outono e se estiola no inverno.
Rios, mares e oceanos, ventos e marés,
planuras e montanhas, chuvas e securas.

As luas nova, crescente, cheia e minguante,
gentes e bichos, plantas e pedras,
o deserto e a solidão, a doutrina e a cidadela.

Jamais fui incréu, olho o céu, piso o chão
e lhes dou razão: já tudo havia, mas faltava ela,
Manuela, que a tudo isso veio dar razão.


PARA MANUELA

Por Antônio Carlos Augusto Gama

Treze anos atrás, eu tinha treze anos a menos, mas era um sujeito caminhando célere para a velhice.
Mais do que a velhice física, a velhice d’alma, filhas criadas, carreira comprida e cumprida, o tédio, a melancolia, a nostalgia, companheiras mais próximas a cada dia.
Trabalhava (como ainda trabalho), mais para não ficar à toa na vida, vendo a banda passar, o tempo passar na janela.
Então nasceu ela, Manuela!
E tudo se coloriu, o mundo refloriu, a vida reviveu.
Hoje ela faz treze anos.
Eu, o seu “Babu”, também.
O poeminha que escrevi para ela, aos dois meses, depois da invenção desse mundo, continua a valer. Sempre.


*
Soneto de Antônio Carlos Augusto Gama, em destaque, na página oito, da 62a.  Revista Ponto & Vírgula (janeiro/fevereiro/março/2023)





Comentários