No rumo dos dias, o claro azul
Desgasta meu tempo vindouro
Nas beiradas do céu ou do sonho
Surge a ira de um sol de ouro.
Uma batalha de minha infância
Atirando nas trevas o belo berço
Pálidas dores, o verão ou a vereda
Choro amargo ao mesmo terço.
Uma lembrança assim se vai
Indescritível, já teu rosto some
Em mim, o verme, o breu o consome.
Do alto, a chuva, o céu cai
Toca, beija o chão no largo ocaso
E o tempo se vai num só atraso.
*
Soneto de Arthur Gregório Valério, em destaque, na página 14 da 69a. Revista Ponto & Vírgula (outubro/novembro/dezembro/2024)
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