AZUL-LEMBRANÇA- Arthur Gregório Valério

No rumo dos dias, o claro azul 
Desgasta meu tempo vindouro 
Nas beiradas do céu ou do sonho 
Surge a ira de um sol de ouro. 

Uma batalha de minha infância 
Atirando nas trevas o belo berço 
Pálidas dores, o verão ou a vereda  
Choro amargo ao mesmo terço. 

Uma lembrança assim se vai 
Indescritível, já teu rosto some 
Em mim, o verme, o breu o consome. 

Do alto, a chuva, o céu cai 
Toca, beija o chão no largo ocaso 
E o tempo se vai num só atraso.


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Soneto de Arthur Gregório Valério, em destaque, na página 14 da  69a. Revista Ponto & Vírgula (outubro/novembro/dezembro/2024)


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