A floresta ecoa o seu grito profundo,
em meio ao caos e agonias sem fim.
E o vento, num turbilhão moribundo,
alastra o fogo e destrói vidas, enfim.
O céu rubro agora desce em brasas
sobre o outrora vívido e úmido chão.
E árvores, guardiãs das antigas eras,
curvam-se em chamas na destruição.
Verde exaure e vermelho se espalha.
As labaredas dançam num ciclo fatal.
O ar que era brisa, tornou-se navalha.
O sol já enfumaçado, afigura-se irreal.
O rio evapora com o indesejável calor,
e aves voam assustadas sem direção.
Da fauna que vibrava tão cheia de cor,
perdura apenas silêncio e devastação.
Porém, a natureza teimosa é renovada.
As cinzas serão o berço do novo brotar.
E após todo o tormento da terra calada,
emergirá um outro eco de vida a vibrar.
*
Poema de Sílvia Moura Fortes, em destaque,
na página 13 da 72a. Revista Ponto & Vírgula
(julho/agosto/setembro/2025)

Comentários
Enviar um comentário