A NATUREZA EM CHAMAS- Sílvia Moura Fortes

 











A floresta ecoa o seu grito profundo,
em meio ao caos e agonias sem fim.
E o vento, num turbilhão moribundo,
alastra o fogo e destrói vidas, enfim.

O céu rubro agora desce em brasas
sobre o outrora vívido e úmido chão.
E árvores, guardiãs das antigas eras,
curvam-se em chamas na destruição.

Verde exaure e vermelho se espalha.
As labaredas dançam num ciclo fatal.
O ar que era brisa, tornou-se navalha.
O sol já enfumaçado, afigura-se irreal.

O rio evapora com o indesejável calor,
e aves voam assustadas sem direção.
Da fauna que vibrava tão cheia de cor,
perdura apenas silêncio e devastação.

Porém, a natureza teimosa é renovada.
As cinzas serão o berço do novo brotar.
E após todo o tormento da terra calada,
emergirá um outro eco de vida a vibrar.

*

Poema de Sílvia Moura Fortes, em destaque,
 na página 13 da 72a. Revista Ponto & Vírgula 
(julho/agosto/setembro/2025)




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