Tu que és aflito
Por essência e vergonha
Por não quereres a tristeza
Hoje, e sempre
Ela segue contigo
Até o sol do teu lábio
Por tanto temeres a morte
Perdes a vida, sem vivê-la
Como se viver fosse pensar
E como se o outro dia
Fosse certo
Mesmo não sendo certo
Sequer o teu verbo
E tu queres a vida, sim
mas por pensares
Sempre e tanto no fim
Torna pequena a travessia
E torna tola toda coisa
Que tem graça
Pois se queres a felicidade
Acostuma-te a não buscá-la
Em todo canto
Se queres saber do amanhã
Planta e colhe
Mas antes que teu dia acabe
Antes que tua noite chegue.
*
Poema de Arthur Gregório Valério,
em destaque, na página 17, da 72a.
Revista Ponto & Vírgula (julho/agosto/setembro/2025)

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