GAIÔ GAIOFATTO- Vários poemas


 














ALINHAR A VIDA

Dia a dia, 
vou alinhando a vida.
Em suspiros, aflições,
tesouros, solidões.
... Tudo junto...
Tudo alinhado,
entorto o caminho criado, 
desvio de entrelinhas.
Estrelas atreladas 
em simbiótico encontro,
murmurando encadeadas,
poemas reveladores,
entrelaçados.
Fora a essência, 
tudo o que é vago de amor,
apago. 



O QUE AINDA ME AFETA 


O céu, o sol, o pôr do sol,
a água, o fogo, o verde, o novo,
a brisa que passa, a luz que conduz
lampejos que acendem o amor,
o poeta, o afeto que é preciso 
despertar
pra cantar
a vida, o porvir, o sentir.
Me afetam 
a verdade e a justiça 
que se irmanam no indefeso.
Me afeta ainda,
o abraço, dado no colo 
que aconchega no laço 
o sensível de olhos molhados 
em doar, amar, receber...
A dor do ausente presente 
em cada amanhecer,
por descobrir e fazer.
Me afetam a Arte, sons angelicais 
que conclamam ao amor universal 
luz estonteante ou 
delicada do simples, do natural,
de aleluias, à ação social.
Me afeta ainda 
o Belo, as estrelas,
a esperança ativa...
Me afetam...


PAUSA/INSTANTE AO LER


Pausa.
Vê!
Guardei um instante ao ler.
No armário do pensamento 
silenciosas palavras deitadas 
recostadas,
desarrumadas, 
de doce diálogo entremeadas, 
se riem em sabedoria 
de ser. 
Lágrima emocionada 
de sagrada poesia. 
Reinventadas repensam 
letras e pássaros articulados 
verso-universátil-verso-
avesso da vida 
universo 
onde tudo se cria.
Será que a alma, como o livro,
tem lado?



SEM ENTENDER


Pudera eu entender...
A carícia da brisa em presenças,
que não vejo, pouco ou nada quase sei.
Imprecisas,
de mim também não sabem.
Somos...  e só.
Só?
Algo de eterno, carentes,
alma insiste, fala,
musicalmente.
E quando tudo parece esvanecer,
esta delicada harmonia,
casa com o entardecer.
MINHA BEM-AMADA TARDE,
Transcende de amor tremente 
àquele que vive só.
Submerge em sol poente.
Do que somos resta 
ouro em pó.
O melhor 
de nós.


FICA DECRETADO


Fica decretado: 
Mesmo em branco e preto, 
pode chegar devagar, 
se apresentar.
Toda a palavra bendita
é bem-vinda 
pra somar.
Caso mude de ideia,
pode apagar,
ir embora,
ou colorir,
mudar.
E como amor não se decreta,
é só um carinho deixar.


*
Gaiô Gaiofatto é Pedagoga pós-graduada, Arte-Educadora, nas Artes Visuais, professora, poeta, escritora, membro da Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto e União dos Escritores Independentes. Autora dos livros: “Verso-Uni-Versátil-Diverso”; “Intermitências do Sopro” e “Travessia de um Beijo de Luz”



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