MARIA ALICE FERREIRA DA ROSA- LUTAS

 










Porque traz nas costas as marcas das correias dos pesos que precisou carregar. E traz nos olhos a tristeza das sombras que precisou atravessar. E na alma as mágoas que lhe causaram, a vida não lhe foi madrinha, mas, por vezes, cruel madrasta.
    Caminhou nas pedras e atravessou o inferno a pé. E tudo foi aprendizado.
    Hoje, chegado o alto da montanha, olha para baixo e revê toda essa jornada. Muitas vezes não acredita ter superado e ter chega-do aqui.
    Das dores resultaram apenas cicatrizes – marcas superficiais que mostram que foi mais forte do que as feridas que suportou.
    As sombras aguçaram seu olhar e permitiram que enxergasse melhor mesmo no escuro, e através dos olhos alheios. E as má-goas lapidaram o carbono de seus sentimentos, que não se trans-formaram em carvão, mas em fino diamante. Desde cedo viu a crueza da vida, e assim aprendeu o valor da felicidade.
E, pisar em pedras ensinou a enfrentar a dor, ao mesmo tempo que conseguiu ver a porta para sair do inferno e voltar à vida.
    Porque passou sozinho todos seus piores momentos. Alguns dos melhores teve com quem dividir.
    Porque não perdeu a alegria de viver e a esperança da felicidade.
    E nada o deteve nem deterá. A sede de viver é maior do que qualquer obstáculo.
    E assim seguirá em frente, mais forte, mais lúcido e mais preparado para a vida...


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Maria Alice Ferreira da Rosa, natural de São Paulo/SP, Procuradora de Justiça aposentada, é blogueira (Blog de Alice – Alinhavando letras), poeta e escritora.
Publicou os livros “Alinhavando letras” (2013); “Pena e poesia” (2016); “O pescador de Sorrento e outras histórias” (2019); “2020 – O ano que não vivi” (2020); “120 poemas” (2022); “Filomena, a lagartixa valente” (2023); “O pião orgulhoso” (2024), “Um jogo e outros contos” (2025), participando, ainda, de mais de 30 antologias no Brasil e em outros países.


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