NOSSO TEMPO - XIII
Ainda pensavas em mim? Ah! se eu pensava em ti!
Blusa clarinha, de alvura ímpar... sapatos mocassim...
Saia plissada, toda azul, rodada e os cabelos, assim...
meio soltinhos... Eras a mais pura paixão que já vivi!
Vestimentas... sempre novas! Sapatos bem cuidados...
Tu te vestias, irreparavelmente! Já, eu... um largadinho!
Era, o meu calçado, no solado que não vias, furadinho...
A alma era sem furos, certificada por olhinhos apaixonados!
À noitinha, quando à aula eu adentrava, levava-te comigo
e, por momentos, eu me alheava e nada mais via, a não ser
a ti. Somente a um beliscão, doído, me dava o meu irmão,
é que a esse nosso mundo mau, eu retornava! E como conter
a essa inquietação?! Era impossível ocultar minha paixão...
E, ao dormir rezava para, em sonho, me envolver contigo!
NOSSO TEMPO - XIV
E o que ainda lembras a meu respeito? Ah! vou te contar.
Parecia meu mundo despencar, ao me sentir tão desolada...
O dia haveria de chegar, para eu pudesse, despreocupada
e sem temor, me tomar pelos teus braços, livre para amar.
Quanto eu chorei por ti, baixinho, sem uma só esperança...
Parecia, a mim, que não me vias... não levavas o meu amor
a sério. Se soubesses, o quanto isso me doía... E que horror,
se houvesse, em meu lugar, outra menina... Se uma segurança,
posto resiliente, existisse... ela se iria! Que faria eu, da vida,
agora... diz-me? Creio que viver, eu não mais suportaria!
Mas Bia, toda sábia, me alertara, um dia... Crê! Mal nenhum
se porá contra esse amor... ele te ama! Outra, o ajudaria,
na dor que o aflige! Claro que está, ele, infeliz... Mas há um
caminho, só de ida, para os dois... ajude-o a curar sua ferida...
*
Sonetos de Idemar de Souza, em destaque,
na página 15, da 72a. Revista Ponto & Vírgula
(julho/agosto/setembro/2025)

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