AO MEU PAI! - LUÍS ANTÔNIO VIOLIN

 










O meu Pai foi o melhor do mundo 
porque para mim ele fez o mundo. 
Não este mundo imundo, 
mas o meu mundo. 
    Meu bom e querido Pai, quanto tempo faz que você se foi, mas  ainda vive bem forte nas minhas lembranças, que alimentam o  amor incontido que sinto por você e fazem sentido ao que aprendi  desde os tempos de criança. 
    Quando me olho no espelho da vida vejo que sou reflexo dos seus pensamentos, da sua vida persistente e cheia de zelo e de esperança, dos bons conselhos que não esqueço por um momento, da educação reta nos bons limites que geram caráter e confiança. 
    Uma coisa que eu adorava eram os causos que você contava. À noitinha, às vezes clara como o dia, às vezes um breu em que só se  viam as estrelas e luzinhas andantes no céu, ficávamos horas sentados num velho banco ouvindo suas histórias de levantar o chapéu. 
    Só aprendi o real valor de tê-lo como Pai na minha vida trabalhando distante. Foi aí que pude mais de você me aproximar porque um amor assim de longe fazia-me procurar o remédio para a saudade que me impulsionava sempre a voltar. 
    Eu pensava que o amor envelhecia e desaparecia. Mas não. Esse amor nasce e permanece, e hoje a sua falta ainda provoca um sentimento doído, que somente ameniza quando faço algo que lhe agrade, uma lembrança nas datas importantes, uma missa ou um terço agradecido. 
    Pai, perdão pela criança peralta, mas que se firmou com o sentimento de pertença à sua família, perdão também pelo jovem às vezes arrogante e pelo adulto distante, que a vida ensinou a reconhecer a sua bondade e a ter muito orgulho de ter um pai de verdade. 
    Obrigado por ter sido e continuar sendo o meu Pai herói e ter me ensinado a jogar o jogo da vida em que você foi coadjuvante tão eficaz. Seu exemplo permanece fazendo parte da minha família e deste caminho em particular que insistentemente procuro seguir em paz. 

Brasília, maio de 2024.

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Luis Antonio Violin nasceu em Batatais/SP e vive em Brasília desde 1975. Professor de Português e Inglês, pós-graduado em Administração e Recursos Humanos, aposentou-se como Analista Legislativo da Câmara dos Deputados. Com trajetória consolidada na literatura, já publicou diversos livros infantojuvenis: “O ninho vazio”, “Histórias de Paulinho”, “Os gatos dançantes”, “A inesquecível praia do Pequeno Príncipe”, “Felizes on-line e off-line”, “As aventuras dos peixinhos brincalhões”. Integra a Associação Nacional de Escritores e tem participação em coletâneas de contos.

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Páginas 59 e 60 da Antologia "Depois do vazio... o verso!"

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