TODAS AS CONTAS CONTAM - FERNANDA RIPAMONTE

 










O escritor vive no seu tempo, mas, tem lembranças, ouve narrativas de memórias, histórias daqueles com os quais convive e registra o que aconteceu, acontece e poderá até, tendo pressentimento ou previsão, acontecer na sociedade. Depois, em elaborada linguagem, através de figuras literárias, interage com a emoção dos leitores, levando-os a ler, reler e pensando, pode assim, recriar sua relação com o mundo. 

    O leitor, ao escolher um texto em um livro para sua leitura, não exige pensamento, doutrina política ou filosófica. Está em busca de uma história. Ainda que não tenha em mira a Filosofia como forma de conhecimento, o leitor absorve e estará automaticamente confrontando suas ideias com as ideias que são narradas nas páginas que tem em mãos. Assim então, transmite ao coração e preserva na inteligência, que é o arquivo de sua existência. A literatura, a arte e a fé, pérolas que são, exigem um tempo para se fixarem na alma produzindo transformações em contínuos processos evolutivos. 

    São pérolas. De repente, o tempo corre e flui entre os limites estabelecidos, entre os nós que sustentam as pérolas: literatura, arte e fé. O fio, que é o tempo, que vemos como tempo e que se distende entre direções opostas, atravessa indiscriminadamente e reúne, une todas as pérolas ou contas de um colar. O vazio de cada conta é preenchido pelo fio e, para o fio, todas as contas contam. Todas as contas contam...
Todas as contas cantam... guardemos com respeito as notas da música que está contida na verdade que nos invade.
Todas as notas cantam...

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Fernanda Ripamonte é escritora, professora, advogada. Membro da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto Membro e outras.

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Página 24 da Antologia "Depois do vazio...o verso!"


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