Entre Risos e Lágrimas- Jugurta de Carvalho Lisboa



    Não se vê casamento sólido como antigamente. Esta instituição decadente está parecida com parafuso de rosca fina: basta apertá-lo um pouco mais, que ele espana. Assim, é o que acontece com a grande maioria da moçada que se casa hoje em dia.
    Em outros tempos os nubentes encaravam a união conjugal como um compromisso sagrado na alegria, na doença, na tristeza e na dor. Como prova dessa seriedade, basta ver como era comum a comemoração das bodas de prata, de ouro e em raríssimos casos, as bodas de brilhante, aos setenta e cinco anos de união.
    Para se chegar ao altar, o casal cumpria três etapas: namorar, noivar e casar. Este ritual teria que ser rigorosamente cumprido para não ferir a moral e as tradições das famílias. Mas, hoje, a “modernidade” jogou para o alto esses valores e a moçada assumiu novas posturas em relação à união conjugal. Não deram a menor bola para aquelas etapas caretas e criaram o “ficar”.
    Dentro deste novo conceito, os jovens casais sentem-se isentos de compromissos, o que os leva a vulgarizar e até banalizar um costume, até então, tido como sagrado. A continuar assim, não se pode duvidar de que chegará o dia em que o “modernismo” desaparecerá com o vocábulo “casar”, substituindo-o pelo “ficar”.
    Ainda bem que nem tudo está perdido. Como é bom saber que ainda existe uma safra de casais mais antigos e portadores de atestado de garantia, válido para união vitalícia.
    É o caso de um casal amigo, prestes a comemorar Bodas de Ouro. Ela, o protótipo da mulher sempre de bem com a vida, muito falante, toda extrovertida e eterna apaixonada pelo esposo. Ele, aquele tipo         Se é que existem almas gêmeas, ali estavam dois legítimos representantes unidos por esta afinidade. Até que chegou o dia, que a vida daquele amigo foi ameaçada por um problema de saúde muito sério. Dava pena ver o sofrimento da esposa, diante do medo de perdê-lo. Ela, muito católica, rolava os dedos pelas contas do seu rosário e, ao mesmo tempo, não dava trégua a Deus e a tantos nomes de Santos, mobilizando toda a equipe celestial, em favor da recuperação do seu enfermo. Enquanto isso, ele assistia com passividade e ternura aos lamentos compulsivos da sofrida esposa, que em determinado momento falou entre soluços e lágrimas: Oh! Meu Deus, só o Senhor sabe o quanto eu amo este homem, eu não posso perder a pessoa que eu mais amo nesse mundo!
    O quase moribundo, com a expressão muito séria, olhou para esposa e disse: Você está dizendo que me ama tanto, mas quando casou comigo você não era virgem...
    Ela, demonstrando o maior espanto, respondeu: Ai bem, como é que você tem a coragem de me dizer uma coisa tão terrível desta?!
    Com um olhar maroto, ele respondeu: Uai, você não é Capricórnio?





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