Outridade- João Nery



o poema nasce em mim
como a INTROMISSÃO
de uma vontade alheia

uma espécie de irrupção
mais ou menos oculta
detecto-a pelos poros

como vozes seminuas
vestem-me a garganta
e vertem-se pelas mãos

de onde vêm essas vozes
e por que me DESISTEM
assim de forma indizível?

sei ser eu o próprio outro
a escutar-me por sentidos
que SÃO e não SÃO meus

sei ser a poesia ausência
e contradição inominada
em CONSTANTE aparição.




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