Água, fonte de vida- Luiz Carlos De Souza Prado




    Sem água não há vida. No cronograma do tempo, segundo a própria história sagrada, antes foi criada a água, depois a vida.
    O corpo humano é constituído, na sua maioria, por água e dela necessitamos todos os dias, não só para beber como também para lavar e cozer alimentos, integrar nossos hábitos de limpeza como banho e higiene bucal, lavar nossa roupa e nossa casa, etc.
    O ser humano é gestado dentro da água da placenta. Sem água a vida é impossível!
    Os ciclos da existência da água e da vida guardam uma estreita semelhança de comportamento.
    A água fecunda a terra e faz brotar dela todo tipo de vegetação.
    O homem também promove a fecundação para procriação e perpetuação da espécie sobre a terra.
    A fonte da água ou nascente é uma mina em que a água brota em forma de borbulhas por entre a areia e forma um filete tímido e tênue, quase imperceptível que começa a escorrer por entre a vegetação. Nesta fase, a nascente precisa ser mais protegida para não secar à mercê do declive do solo, começa a escorrer por força da lei da gravidade.
    A vida humana, ao nascer, é completamente frágil e indefesa, depende de quem a cerca por inteiro para sobreviver. Sem os cuidados e o leite da mãe, ela não resiste.
    O fio d’água, à medida que caminha, vai ganhando maiores proporções. Depois de escorrer ganha correnteza, transformando-se em um riacho, um córrego, um ribeirão, um rio até desaguar no mar.
    A vida humana também tem seu curso, o bebê se desenvolve, torna-se uma criança, depois um adolescente, um jovem, até tornar-se uma pessoa adulta.
    A água e a vida encontram semelhanças até quanto ao tempo. Ambas só andam para a frente, não dão retrocesso. A água que passa debaixo de uma ponte não volta nunca mais, vai sempre avante.
    Na vida, o dia que passa nunca mais retorna, outros dias virão; apenas podemos lembrar-nos daquele que ficou para trás em pensamentos e recordações.
    A água, no seu percurso do riacho até o oceano, à medida que flui, passa por diferentes situações.
    Às vezes a água fica confinada em um lago de águas serenas e tranqüilas, às vezes se agita nas corredeiras, saltos e cachoeiras dos rios.
    Outras vezes fica estagnada nos brejos e até se enferruja; há aquela que se evapora, a que é bebida pelos animais e pessoas ou sugadas pela terra. Porém, a mais célere ganha os rios, mares e chega aos oceanos.
    O curso da vida humana também é cheio de acontecimentos, percalços, tropeços e também mesclada com tranqüilidade e sossego. Os tropeços são as doenças, os problemas da sobrevivência, as adversidades, os desencontros...
    Muitas vidas se sucumbem neste processo, pela bebida, pelas drogas, pelos vícios, pela falta de moral, pela violência, pelas moléstias e, até mesmo, pelo suicídio!
    Os momentos de tranqüilidade são representados pelas horas de felicidade e de paz em que vivemos.
   Vidas há que se destacam pela sabedoria que acumulam, pela luz que irradiam, pela sensatez de comportamento, pelo entendimento e amor ao próximo, tornando-se “ÁGUAS GRANDES” nos oceanos da vida.
    As semelhanças entre a água e a vida são tão grandes, que ambas tocam os CÉUS.
    A água o faz na linha do horizonte dos mares e oceanos; a vida humana também consegue tocar os CÉUS pelas orações e, sobretudo, quando consegue se despojar dos maus sentimentos e atingir a pureza do AMOR.
    A água e a vida só se diferem em uma coisa: a água não tem vontade própria, ela obedece as leis do declive topográfico e da gravidade.
    A vida humana não, ela é SOBERANA, pois o ser humano pode escolher pelo próprio arbítrio o seu caminho. Ele tem, inclusive, o DOMÍNIO sobre as águas, manobrando-as em seu proveito.
    INVOCANDO essa SOBERANIA, esse DOMÍNIO, essa VONTADE PRÓPRIA, o entendimento das coisas, da inteligência e da sabedoria, cabe a cada vivente humano de hoje, não só fazer o uso correto da água, mas cuidar mais da natureza, proteger os mananciais de água, racionalizar mais o seu uso, para que essa BÊNÇÃO DE DEUS, que é a água, nunca falte à humanidade.

                Notas:
- Este artigo foi escrito em 21/03/2004 e publicado nos jornais internos de duas paróquias de Ribeirão Preto.

- O título foi lema da Campanha da Fraternidade daquele ano.



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