Sem água não há vida. No
cronograma do tempo, segundo a própria história sagrada, antes foi criada a
água, depois a vida.
O corpo humano é constituído, na
sua maioria, por água e dela necessitamos todos os dias, não só para beber como
também para lavar e cozer alimentos, integrar nossos hábitos de limpeza como
banho e higiene bucal, lavar nossa roupa e nossa casa, etc.
O ser humano é gestado dentro da
água da placenta. Sem água a vida é impossível!
Os ciclos da existência da água
e da vida guardam uma estreita semelhança de comportamento.
A água fecunda a terra e faz
brotar dela todo tipo de vegetação.
O homem também promove a
fecundação para procriação e perpetuação da espécie sobre a terra.
A fonte da água ou nascente é
uma mina em que a água brota em forma de borbulhas por entre a areia e forma um
filete tímido e tênue, quase imperceptível que começa a escorrer por entre a
vegetação. Nesta fase, a nascente precisa ser mais protegida para não secar à
mercê do declive do solo, começa a escorrer por força da lei da gravidade.
A vida humana, ao nascer, é
completamente frágil e indefesa, depende de quem a cerca por inteiro para
sobreviver. Sem os cuidados e o leite da mãe, ela não resiste.
O fio d’água, à medida que
caminha, vai ganhando maiores proporções. Depois de escorrer ganha correnteza,
transformando-se em um riacho, um córrego, um ribeirão, um rio até desaguar no
mar.
A vida humana também tem seu
curso, o bebê se desenvolve, torna-se uma criança, depois um adolescente, um
jovem, até tornar-se uma pessoa adulta.
A água e a vida encontram
semelhanças até quanto ao tempo. Ambas só andam para a frente, não dão
retrocesso. A água que passa debaixo de uma ponte não volta nunca mais, vai
sempre avante.
Na vida, o dia que passa nunca
mais retorna, outros dias virão; apenas podemos lembrar-nos daquele que ficou
para trás em pensamentos e recordações.
A água, no seu percurso do
riacho até o oceano, à medida que flui, passa por diferentes situações.
Às vezes a água fica confinada
em um lago de águas serenas e tranqüilas, às vezes se agita nas corredeiras,
saltos e cachoeiras dos rios.
Outras vezes fica estagnada nos
brejos e até se enferruja; há aquela que se evapora, a que é bebida pelos
animais e pessoas ou sugadas pela terra. Porém, a mais célere ganha os rios,
mares e chega aos oceanos.
O curso da vida humana também é
cheio de acontecimentos, percalços, tropeços e também mesclada com
tranqüilidade e sossego. Os tropeços são as doenças, os problemas da
sobrevivência, as adversidades, os desencontros...
Muitas vidas se sucumbem neste
processo, pela bebida, pelas drogas, pelos vícios, pela falta de moral, pela
violência, pelas moléstias e, até mesmo, pelo suicídio!
Os momentos de tranqüilidade são
representados pelas horas de felicidade e de paz em que vivemos.
Vidas há que se destacam pela
sabedoria que acumulam, pela luz que irradiam, pela sensatez de comportamento,
pelo entendimento e amor ao próximo, tornando-se “ÁGUAS GRANDES” nos oceanos da
vida.
As semelhanças entre a água e a
vida são tão grandes, que ambas tocam os CÉUS.
A água o faz na linha do
horizonte dos mares e oceanos; a vida humana também consegue tocar os CÉUS
pelas orações e, sobretudo, quando consegue se despojar dos maus sentimentos e
atingir a pureza do AMOR.
A água e a vida só se diferem em
uma coisa: a água não tem vontade própria, ela obedece as leis do declive
topográfico e da gravidade.
A vida humana não, ela é
SOBERANA, pois o ser humano pode escolher pelo próprio arbítrio o seu caminho.
Ele tem, inclusive, o DOMÍNIO sobre as águas, manobrando-as em seu proveito.
INVOCANDO essa SOBERANIA, esse
DOMÍNIO, essa VONTADE PRÓPRIA, o entendimento das coisas, da inteligência e da
sabedoria, cabe a cada vivente humano de hoje, não só fazer o uso correto da
água, mas cuidar mais da natureza, proteger os mananciais de água, racionalizar
mais o seu uso, para que essa BÊNÇÃO DE DEUS, que é a água, nunca falte à
humanidade.
Notas:
-
Este artigo foi escrito em 21/03/2004 e publicado nos jornais internos de duas
paróquias de Ribeirão Preto.
- O
título foi lema da Campanha da Fraternidade daquele ano.
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